Grand Duke Besta the Smokerous of St Winifred by Winchelsea
Domingo, 4 de Dezembro de 2005

Estilhaços

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.

O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de permeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juízo final do desamor.

Vizinhos assustam-se pela manhã
ante os destroços junto à porta:
- amavam-se tanto...!

Houve um tempo:
uma casa no campo,
fotografias de férias,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de pôr a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com as suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afectos nado-mortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objectos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo...

publicado por wildbeast às 00:06
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6 comentários:
De Anónimo a 5 de Dezembro de 2005 às 18:30
...pois tal como as alminhas das mensagens anteriores espero que os cacos num sejam teus, no entanto e como tanbém já aki alguem disse muito bonito o poema, e tal como a nossa loura escreve, os cacos apanham-se, colam-se, arruma-se bem arrumadinhos algures.....e kuando menos se espera.....boooommmmm.....acontece....mais uma vez....a vida é assim.....meu amigo, não passa de uma morte...lenta....morre-se hoje aki, para se voltar a viver amanha ali.....
continua a escrever, amigo para te continuar-mos a ler....
jinho grande
da
bruxaxanfrada ou seja onda.do.mar mas mais conhecida por lua_feiticeira


isa
(http://http//www.luafeiticeira.no.sapo.pt)
(mailto:mar_isa_mar@hotmail.com)


De Anónimo a 5 de Dezembro de 2005 às 01:51
Este post, apesar de tudo conter, não o comento pq o compreendo. Um abraço Enorme!!!!ferrus
(http://ferrus.blogs.sapo.pt)
(mailto:ferrus1@gmail.com)


De Anónimo a 4 de Dezembro de 2005 às 20:53
Desejo sinceramente k os estilhaços ñ sejam teus!!!Se forem,ñ deixes de sorrir,nem de sonhar!Pq se deixas de sonhar,deixas de viver!E k menos esperares voltas a amar de novo!Beijo!

samira
</a>
(mailto:soraiasamira@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Dezembro de 2005 às 13:30
Linda forma de pintar uma cena triste, e tão vulgar nos dias que correm, amigo meu!!! Mas olha, se por um mero acaso, estes estilhaços te pertencem...anima-te! Eu sei que o amor se ergue de novo!! Se não for na mesma casa, será noutra. Eu tb já apanhei os meus cacos um dia...colei-os, e quando menos esperava, lá estava ele a sorrir-me, uma vez mais! Beijos! :o)margarida_rr
</a>
(mailto:rute.rolo@gmail.com)


De Anónimo a 4 de Dezembro de 2005 às 13:17
Mister Wild
Esperando q os estilhaços ñ sejam autobiográficos , gostei muito de ler o seu poema.
bapsi
</a>
(mailto:bapsimalone@hotmail.com)


De Anónimo a 4 de Dezembro de 2005 às 05:29
Apesar do chumbo não esqueças que o importante é poder dizer, como disse Gabriel Garcia Marquez, "Confesso que vivi".rima alternativa
</a>
(mailto:rimaalternativa@hotmail.com)


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