Grand Duke Besta the Smokerous of St Winifred by Winchelsea
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2005

Simplesmente... NATAL

 

Dias frios, noites geladas,


Abetos cortados com luzes pequenas,


Som de sinos, trenós na neve,


Assim era o Natal há muito, muito tempo.




Cães em carroças, gritos de alegria,


Filigrana de gelo nas janelas frias,


Doces, rabanadas e luzes de velas,


O Natal assim recordo há muito, muito tempo.




Pegadas secretas nos degraus,


Cânticos sonhados docemente no ar,


Meias penduradas na chaminé,


Um Conto de Natal de há muito, muito tempo.




Noites estreladas e ainda tão azuis,


Velhos amigos a chamar por nós...


Mas o tempo, que encurta a vida...


Arrebata o sonho...




O sonho de um simples Natal


De há muito... muito tempo...


 


Com os desejos de umas Santas Festas, junto dos vossos príncipes, princesas, reis e rainhas... e que todos os dias, para todos que me lêem, sejam Natal...

publicado por wildbeast às 16:56
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005

Lembro-me

Vivi... Morri... De olhos abertos escorrego


No imenso abismo sem nada ver,


Lento como uma agonia,


Pesado como uma rocha...


 


Inerte, ferido,


Por um longo corredor escuro,


Desço hora a hora, ano após ano


Através do Mudo, do Imóvel, do Negro.


 


Sonho e já não sinto. A corrida terminou.


O que é então a vida? Sou jovem? Sou velho?


Sol? Amor? Nada, nada...


Simples carne abandonada.


 


Escorrega, afunda... vá! Tens o vazio nos olhos.


O esquecimento torna-se mais profundo


E perdes-te nele...


Se sonho? Não, não... Estou morto. Tanto melhor.


 


Mas este espectro, este grito, esta ferida horrível?


Deve ter-me acontecido em tempos antigos.


Oh noite, noite do esquecimento, tomam-me nos teus braços...


Não falhes....


 


Alguém me devorou o coração.... Lembro-me....

publicado por wildbeast às 22:47
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publicado por wildbeast às 00:14
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Domingo, 18 de Dezembro de 2005

D e s p e d i d a


As palavras não vêm.
Os olhos ficam marejados.
Buscamos num sorriso disfarçar
Toda a emoção que nos invade.


E um coração de poeta,
Sensível a tudo,
Chora uma lágrima de saudade...


Colhemos as palavras mais bonitas,
As mais ternas,
As mais amigas,
Que enfeitassem singelas
O momento da despedida.


Ei-las que chegam, por fim,
Mas deixando sílabas pelos caminhos.


Até à volta, amanhã, talvez...


E um coração de poeta,
Sensível a tudo,
Chora uma lágrima de saudade...


 


Adeus….. Mãe............


 

publicado por wildbeast às 01:58
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Sábado, 17 de Dezembro de 2005

Ser Imundo das Trevas

Tu que, como uma punhalada,
No meu coração penetraste,
Tu, que qual furiosa manada
De demónios, ardente ousaste,

De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão...
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,

Como ao baralho o jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!

Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a cobardia me amparasse.

Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque à escravidão,

Imbecil - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver do teu vampiro!"


publicado por wildbeast às 16:43
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2005

N o i t e

Assim que a noite


ganha mais espaço no escuro
e se alastra, como um mal,
caras indefinidas,
começam o jogo da vida
no meio das ruas.



Estes são errantes, aqueles iluminados,
alguns são tristes, outros desesperançados,
muitos tortuosos, alguns estilizados,
muitos demagogos, alguns são arrojados,
Estes muito jovens, aqueles alucinados.

Logo que a noite se faz arrepio,
infiltrando tudo, 
surge o prurido da vida
na flor da pele dos vampiros elegantes.

Todos tão calados, muitos conscientes,
Estes tão sedentos, muitos mais carentes,
todos com seus medos, alguns corpos ardentes,
pelos eriçados, membros já dormentes,
bocas mal fechadas, ilusões presentes.

Tão mal a noite ganha mais espaço,
saio pelas ruas, olhando as pessoas,
e... com inveja delas...


 


 


 


Dedicado ao amigo ferrus, para quem, pelos seus escritos, parece a noite também, dedilhar uma íntima corda no seu coração.


Com um abraço amigo....

publicado por wildbeast às 22:26
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Homenagem a um Homem



Um homem de quem tive a honra de ser “aluno” por uns dias, numa travessia de Lisboa para Ponta Delgada, há muitos, muitos anos, no navio “Angra do Heroísmo”. Bem haja, professor....

A Concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio
publicado por wildbeast às 00:49
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Domingo, 4 de Dezembro de 2005

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time.jpg
publicado por wildbeast às 00:14
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Estilhaços

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.

O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de permeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juízo final do desamor.

Vizinhos assustam-se pela manhã
ante os destroços junto à porta:
- amavam-se tanto...!

Houve um tempo:
uma casa no campo,
fotografias de férias,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de pôr a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com as suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afectos nado-mortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objectos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo...

publicado por wildbeast às 00:06
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Sábado, 3 de Dezembro de 2005

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karakal.jpg
publicado por wildbeast às 01:21
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